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24 de mar de 2009

CBCS: RECOMENDAÇÕES BÁSICAS DE SUSTENTABILIDADE PARA PROJETOS DE ARQUITETURA.

Recomendações básicas de sustentabilidade para projetos de arquitetura I

Introdução:

O Grupo de Trabalho de Sustentabilidade da AsBEA reuniu em um texto simples e sucinto, os pontos entendidos como básicos na conceituação do que é uma obra sustentável, bem como os procedimentos mais imediatos que levarão a uma ação em prol da redução do impacto ambiental causado pelas obras civis.
Antes de tudo, é necessário que se conheça alguns conceitos básicos que devem nortear a elaboração de um projeto de arquitetura na busca de melhores condições de sustentabilidade. São eles:

- A sustentabilidade não é um objetivo a ser alcançado, não é uma situação estanque, mas sim um processo, um caminho a ser seguido. Advém daí que a expressão mais correta a ser utilizada é um projeto “mais” sustentável. Todo o trabalho nesta área é feito a partir de intenções que são renovadas continua e progressivamente. Intenções estas genuínas, que devem estar verdadeiramente compromissadas com os valores do Cliente, a saber, o contratante, o usuário e a comunidade onde a obra esta inserida.

Conhecer os valores do Cliente, e entender que projeto é o exercício de intenções e decisões , resulta em uma obra mais sustentável. É esta a demanda da sociedade atual.

- A sustentabilidade é baseada em três aspectos: o ambiental, o econômico e o social, que devem coexistir em equilíbrio. Como estes aspectos representam variáveis independentes, as escolhas resultantes serão diferentes em cada situação apresentada. Portanto, não existe receita nem cálculo absoluto que determine o que deve ser feito ou não, para que um projeto caminhe na direção de uma maior sustentabilidade, sendo a proposta de cada projeto fruto de escolhas específicas, únicas e originais.

- A busca pelo caminho da maior sustentabilidade cabe a todos os envolvidos no projeto e execução do ambiente edificado. É um trabalho coletivo (em rede) onde todos devem fazer sua parte, e ao mesmo tempo incentivar os demais a fazê-lo. As decisões devem ser resultado de uma ação orquestrada com os demais projetistas, gerenciadores, consultores, fornecedores, executores e usuários, na medida em que esta escolha pode condicionar ações a serem efetivadas pelos demais.

A certificação entra neste processo como um reconhecimento de um trabalho desenvolvido, sem, no entanto, ser sua representação fiel. Um motivo para esta dicotomia é a não existência de processo adequado às condições regionais culturais, econômicas e físicas que permitam uma real avaliação do resultado obtido pelo esforço de tornar uma edificação mais sustentável. Os critérios de certificação, portanto, devem ser utilizados como referências auxiliares, mas não determinantes na escolha de materiais e sistemas construtivos.

Os princípios básicos de uma construção sustentável estão ligados às questões de:

  • Qualidade ambiental interna e externa

  • Redução do consumo energético

  • Redução dos resíduos

  • Redução do consumo de água

  • Aproveitamento de condições naturais locais

  • Implantação e Análise do Entorno

  • Reciclar,reutilizar e reduzir os resíduos sólidos

  • Inovação

A relação de procedimentos aqui apresentada pretende ser uma orientação para os escritórios de arquitetura que tenham intenção de adotar a sustentabilidade como um critério de projeto, e visa demonstrar quais ações básicas podem ser importantes na busca de um resultado mais sustentável, sem onerarem significativamente o custo da obra.

Elaborar um projeto de arquitetura com melhor desempenho ambiental é projetar levando-se em conta o uso eficiente da energia, da água, de materiais certificados e renováveis, o aproveitamento de condições naturais locais, a qualidade ambiental interna e externa dos edifícios, e a utilização consciente dos equipamentos e do edifício pelo usuário.

Uso eficiente de energia:

Medidas que resultam em uma redução do consumo energético ou maior eficiência do uso em edifícios:

  1. Especificação de equipamentos com menor consumo e melhor eficiência possível na utilização do gás natural para todos os fins;

  2. Automatização de transporte vertical com otimização de carga e menor consumo energético possível com a adoção de sistemas eficientes como o ADC, (antecipação de chamadas);

  3. Iluminação de baixo consumo energético nas áreas comuns de uso contínuo, e iluminação “incandescente” com acionadores por sensor de presença nas áreas de uso esporádico ou intermitente. Este princípio, com maior tolerância, também é válido para as unidades privadas;

  4. Planejamento do consumo energético e utilização de equipamentos para gerar energia em períodos de pico;

  5. Melhor aproveitamento possível da iluminação natural, levando-se em conta a necessidade do seu controle;

  6. Melhor condição de conforto térmico evitando a incidência da radiação solar direta através da adoção de soluções arquitetônicas tipo brises-soleil, venezianas, telas termo-screen externas, prateleiras de luz, vidros especiais que dispensam o uso de brises, etc.;

  7. Implementação e otimização de ventilação natural;

  8. Adoção preferencial de acabamentos claros nas áreas de grande incidência de luz solar;

  9. Tratamento das coberturas do edifício analisando a possibilidade de implementação de áreas verdes ou, caso esta solução não seja possível, utilizar pinturas reflexivas para diminuir a absorção de calor para o edifício;

  10. Uso de soluções alternativas de produção de energia como a eólica ou a solar, de acordo com as condições locais. A indústria brasileira está se tornando cada vez mais forte na produção de equipamentos para estes fins, tornando viáveis estes projetos.

Uso eficiente da água:

Sistemas que reduzem o consumo de água em edifícios:

  1. Captação, armazenamento e tratamento de águas pluviais para reutilização na irrigação, limpeza, refrigeração, sistema de combate a incêndio e demais usos permitidos para água não potável;

  2. Utilização de bacias acopladas e válvulas especiais com o fluxo opcional por descarga, ou de sistemas a vácuo;

  3. Reaproveitamento das águas de lavagem, com tratamento local, para utilização sanitária.

  4. Utilização de torneiras com acionamento eletrônico ou temporizador por pressão em todas as aplicações passíveis.

Uso de materiais certificados e renováveis:

  1. Maximização na especificação de materiais sustentáveis objetivando o maior volume possível de utilização de materiais certificados, de manejo sustentável e recicláveis;

  2. Planejamento para maior durabilidade possível nas especificações visando alta performance e evitando obsolescência prematura;

  3. Utilização de materiais cujos processos de extração de matérias primas, beneficiamento, produção, armazenamento e transporte causem menor índice de danos ao meio ambiente nem estejam baseados em condições de trabalho indignas para os operários.

Qualidade ambiental interna e externa:

  1. Projetar utilizando técnicas que permitam uma construção mais econômica, menos poluente e que impacte de forma menos agressiva o meio ambiente;

  2. Evitar ao máximo a impermeabilização do solo;

  3. Evitar danos à fauna, flora, eco-sistema local e ao meio ambiente;

  4. Planejar toda a obra e futura operação do edifício procurando minimizar a geração de lixo e resíduos;

  5. Evitar todo e qualquer tipo de contaminação, degradação e poluição de qualquer natureza, visual, sonora, ar, luminosa, etc;

  6. Promover a segurança interna e externa do edifício e seus usuários;

  7. Implantação e otimização de todos os recursos para a correta coleta seletiva do lixo visando a reciclagem de materiais e a menor geração de resíduos descartáveis;

  8. Evitar grandes movimentos de terra, preservando sempre que possível a conformação original do terreno;

  9. Elaborar um plano eficiente de drenagem do solo para durante e após a execução das obras, evitando-se danos como erosão ou rebaixamento de lençol freático.

Utilização consciente dos equipamentos e do edifício pelo usuário:

  1. O arquiteto deve procurar elaborar o projeto sempre com o apoio de quem irá operar o edifício, criando espaços e sistemas racionalizados, de baixo custo operacional e com mínimo impacto ambiental. Quando se entrega uma obra, não importa a escala, esta deveria ser acompanhada de Manual de Operação, Gestão e Manutenção;

  2. Orientar a criação e promoção de um curso de gestor ambiental do edifício;

  3. Amparar todo corpo de funcionários com treinamento adequado visando a educação, desenvolvimento intelectual e criatividade;

  4. Difusão para o corpo de funcionários e todos os usuários do edifício dos princípios de sustentabilidade e conservação do meio ambiente.S

Soluções que permitam flexibilidade e durabilidade:

  1. Adotar soluções construtivas que garantam maior flexibilidade na construção, de maneira a permitir fácil adaptação às mudanças de uso do ambiente ou de usuário, no decorrer do tempo, e evitar reformas que podem causar grande impacto ambiental, pela produção do entulho;

  2. Adoção de materiais que sejam duráveis, não somente pelas suas características técnicas, mas também em função do seu desempenho e comportamento ao longo do tempo, o que resulta em longevidade para o edifício.

Considerações finais:

A implementação das ações descritas neste documento, além dos ganhos ambientais, implicará em menor custo operacional, economia de recursos e extensão da vida útil do edifício. Estes fatores, além de cumprir sua função ambiental, poderão constituir importante fator diferencial mercadológico não apenas do ponto de vista de marketing, mas também como processo de endo-marketing, conscientizando e disciplinando seus usuários no sentido de respeito ao meio ambiente e na sua contribuição para com as gerações futuras.

EMPRESA ECOLÓGICA : Caixa Econômica Federal faz reforma com materiais de baixo impacto ambiental


A Caixa Econômica Federal realizou, nesta semana, a compra de 8.800m² de carpete fabricado com fios produzidos por meio do amido do milho, material inteiramente renovável.

O tapete será colado nas novas instalações da Central de Telemarketing e na Gerência Nacional de Operações Imobiliárias da CAIXA, em São Paulo. A compra do produto irá garantir o plantio de 315 árvores na Mata Atlântica e apoio a projetos de reflorestamento da Mata.

A iniciativa é resultado da adesão ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas, em que a CAIXA se compromete em desenvolver ações que assegurem a sustentabilidade ambiental.

A compra do produto irá garantir o plantio de 315 árvores na Mata Atlântica e apoio a projetos de reflorestamento da Mata.

Hoje a CAIXA faz parte do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento (CEBDS), composto pelos bancos Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e BM&F, que regula a compra de materiais e o reaproveitamento de recursos seguindo os critérios estabelecidos pela Câmara Técnica de Finanças Sustentáveis (CTFS).

Carpete Sustentável
O carpete foi comprado da Interface Flooring Systems, Inc, maior fabricante do mundo e líder mundial no segmento em meio ambiente e desenvolvimento sustentável. A empresa participa de um programa de reflorestamento da Mata Atlântica em parceria com a Fundação S.O.S Mata Atlântica, com a utilização de menos 80% de água no processo industrial da produção do carpete. A Inteface possui o selo ambiental LEED na categoria Platinum.

Fonte: https://www1.caixa.gov.br/imprensa/imprensa_release.asp?codigo=6304766&tipo_noticia=13

PINTE SEU TELHADO DE BRANCO - CAMPANHA PARA REDUÇÃO DO AQUECIMENTO GLOBAL


Apesar do recorde de calor atingido por São Paulo na última semana, desde o mês passado, uma campanha chamada One Degree Less (Um Grau a Menos) aponta uma solução relativamente simples para diminuir a temperatura no interior das casas e, de quebra, reduzir o aquecimento global em 1ºC: pintar telhados de branco.

Criada pela GBC (Green Building Council), uma entidade que promove mundialmente o uso de tecnologias sustentáveis na construção civil, a campanha se baseia em um estudo científico do Berkeley Lab., laboratório ligado ao Departamento de Energia dos EUA.

De acordo com esse estudo, a pintura de telhados e lajes superiores com cores claras reduz a temperatura no interior das edificações em cerca de 6°C, pois o branco reflete até 90% dos raios solares, enquanto a telha cerâmica comum absorve essa mesma porcentagem de calor.
Como consequência, o consumo de energia ligado à refrigeração dos ambientes (ar-condicionado e ventiladores) diminui entre 20% e 70%, o que, por sua vez, reduz a emissão de CO2 na atmosfera.

"Se 30% a 40% dos telhados mundo forem pintados, a temperatura da Terra poderia cair em 1°C, por isso o nome da campanha", diz Marcos Casado, gerente técnico da GBC.
Mas algumas mãos de tinta seriam tão eficazes a ponto de ajudar em um problema tão complexo quanto o aquecimento do planeta?

Arquitetos ouvidos pela Folha fazem ressalvas, mas são categóricos ao afirmar que pintar os telhados e até paredes que tenham alta incidência solar reduz 'de forma impactante' as temperaturas ambientes.

Nelson Solano Vianna, arquiteto e consultor de conforto ambiental e energia, diz que não é possível precisar em quanto a pintura reduz a temperatura interna de uma residência.

"Isso depende muito da posição da edificação em relação ao sol, da quantidade de janelas, que permitem a entrada de calor, e até da localização geográfica. Mas, de maneira geral, [a pintura clara] é muito importante e extremamente eficiente no controle de calor."

Vianna ressalta que é preciso fazer manutenção periódica da pintura e recomenda que seja feita em novembro, quando se inicia o período de maior incidência do sol no hemisfério sul.
A arquiteta Leiko Motomura, que trabalha com o conceito de arquitetura de mínimo impacto sobre o meio ambiente, é cautelosa quanto à pintura clara.

"A produção da tinta também agride a natureza. É possível fazer um sistema de ventilação entre o forro e o teto que é bastante eficiente no resfriamento da edificação."

O preço dessa ação politicamente correta é razoável: um galão de 18 litros da tinta especial para telhados custa cerca de R$ 170, enquanto a tinta convencional para exteriores sai a R$ 125.
Já a telha cerâmica pintada custa em média R$ 1,60 a peça, enquanto a vermelha convencional sai a R$ 0,50.

Fonte: JAMES CIMINO - Folha de S.Paulo 09/03/2009 - 19h15
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